Eu corro os olhos pelo céu à procura da emoção que, fazendo chuva ou sol, costumava brilhar logo à minha porta. Eu passo os olhos pelas mesmas paisagens dia após dia e não há nada além de nuvens por ali. Em função da ausência de seu princípio ativo, a emoção não existe. 

Eu arrasto os dias comigo, encarando inocentemente aquele céu rude e sádico, na pura esperança de que talvez, um dia, os bons ventos a tragam de volta.

Mas os dias passam, eles teimam. O céu encanta e repreende. Acaba por me ordenar a sair dali, e, ainda sim, espero. Cansado de ser desobedecido, o céu se torna cinza. Ainda estou ali. 

Quando a fúria do firmamento chega no seu ápice, chora. Para compor a arte no solo, choro também.

Volta, eu não sei viver sem a sua participação, não sei viver os dias cinzas. Não sei encarar o mesmo céu vazio por muito tempo. 

Volta, porque se não me faltar o ar durante a espera, eu tomo fôlego e voo pra longe. 


Let it be

Nunca devemos nos sentir estagnadas no avanço das relações, pois é após a terrível monotonia, que a evolução se mostra presente. E o presente sempre provou ser muito mais do que uma demarcação de tempo. Pouco a pouco percebemos que estamos lidando com oportunidades únicas, momentos preciosos, prazeres indescritíveis, assim, em nossas mãos, sem esforço algum. O presente carrega junto a este nome, o fardo de nos entregar as belezas da vida a todo instante, incansável e persistentemente!

E esse é o motivo pelo qual eu fixo meus olhos no seu sorriso por momentos rápidos. Não porque quero guardá-los na minha memória, mas porque quero ter a consciência limpa de que aproveitei enquanto pude. E quando não puder, quero aproveitar outra coisa sua ao meu alcance, como o seu olhar, ou o seu toque. Eu quero me ver (e viver) livre de arrependimentos e discursos contidos. Eu não quero me privar de nada. E se isso nos fizer feliz, pois bem! Se não, nós resolvemos no caminho… Ainda temos uma vida inteira pra nos conhecermos, certo?


That’s the way it is

"Eu prometo não te prometer nada
Nem te amar pra sempre
Nem não te trair nunca
Nem não te deixar jamais

Estou aqui, te sinto agora
sem máscaras nem artifícios
e enquanto for bom para os dois que o outro fique

Nada a te oferecer senão eu mesmo
Nada a te pedir senão que sejas quem tu és
A verdade é o que de melhor temos para compartilhar

Tuas coisas continuam tuas
E as minhas, minhas.
Não nos mudaremos na loucura de tornar eterno
Esse breve instante que passa

Se crescermos como pessoas
Ainda que em direções opostas
Saberemos nos amar pelo que somos
Sem medo ou vergonha
De nos mostramos um ao outro por inteiro

Não te prendo e não permito que me prendas
Nenhuma corrente pode deter o curso da vida
Nenhuma promessa pode substituir o amor
Quero que sejas livre como eu próprio quero ser

Companheiros de uma viagem que está começando
Cada vez que nos encontramos novamente”


Você

É sobre você, é você; Foi você, tem sido há um tempo..


E quantas vezes eu já não feri minha alma com verdades engolidas goela a baixo? Diversas! Qual é o propósito de cultivar essa prática nociva que tende a podar tudo quanto é galho rebelde? E esse medo do diferente aniquila boas ideias, boas teorias, boas pessoas? Será que seguir o curso natural das coisas é “natural”? O que você passa a ser, a partir do momento em que nega a si mesmo e suas próprias vontades? Precisamos parar de sentir a preguiça que nos impede de ir além de nossos horizontes. Precisamos enxergar o mundo com todas as cores que nos são oferecidas. Precisamos desencaixotar nossos conceitos e deixá-los seguirem o fluxo da vida. Precisamos nos desencaixotar, eu preciso.



Obrigada por ter conversado comigo hoje, por ouvir e dizer coisas tão incríveis como você disse. Passamos, juntos, por cima de um monstro muito perigoso e traiçoeiro (não preciso nem nomeá-lo), e isso foi fundamental para o meu sorriso bobo de agora. 

Sabe, você realmente tocou em um ponto interessante sobre mim, que nem eu mesma tive coragem de reconhecer. Você não só tocou na ferida, você estraçalhou com ela e me obrigou a avaliar o seu estado. É crítico. Mas ao mesmo tempo em que teve a audácia de fazer isso, pôde também dizer que faria muito mais pelo meu futuro, se pudesse. A conversa toda foi um “bate/afaga” danado, que eu confesso ter abalado muito a minha opinião sobre a tal da “decisão certa”.

É com imensa gratidão que levanto a voz o mais alto que posso, para dizer a todos que me sinto abraçada pelas pessoas que amo. 


O problema é que a ânsia de vencer impede o jogo.


Não, nós nunca sabemos como sentiremos a falta de alguém.. Até sentirmos. Nunca sabemos o quanto alguém nos fará falta, até fazer, até não estar presente mais. Muitas das vezes as relações se tornam rotineiras e sem emoção, que chegamos a fechar os olhos pelos motivos que levaram tal situação, a de estar ali, compartilhando a vida com alguém. Não podemos nos deixar cegar pela monotonia, que constrói uma barreira em frente àquilo que mais precisamos ver nesses momentos, que são as memórias de alegria, os choros de felicidade e mais várias outras boas recordações. E quando não somos persistentes o suficiente para assumir bons óculos e aguçar a visão, nos rendemos. Ficamos sozinhos, e quem disse que isso é bom? Ao abrirmos mão de alguém em um relacionamento monogâmico, nós desviamos o fluxo, interrompemos o progresso, partimos corações.. Por que não denominar como progresso, um ser humano dividindo sua alma com outra pessoa?

Gasta-se tanto tempo para conhecer alguém profundamente a ponto de sentir-se completamente despido, nu. Mas não de roupas, de máscaras e camadas que cobrem qualquer ser humano com mais de 10 anos de idade. Livre para contar e descontar qualquer história, para dizer o que a mente quer dizer, não as boas maneiras. 

Quando, por inúmeros motivos evasivos, mas principalmente pela monotonia, nos permitimos tal desgraça, não pensamos em como teremos que batalhar para nos recuperar. Pensamos apenas em como o outro terá de lidar com a perda, mas nunca nos permitimos imaginar o que faremos para nos “despir” para alguém de novo.

Nunca será tão fácil de novo, nunca será tão simples e tão puro. Será um árduo trabalho, pois existem novas bagagens e novas sensações a se equilibrar. Existem também os anos, que nunca param de passar. Mas em algum momento da vida você será valente o suficiente para não correr atrás de correntes antigas, e se forçará a se ligar a uma nova. E a boa e a má notícia é que você nunca saberá como é, ou se sentirá, a falta de alguém de novo.


Que se safem todos aqueles que sentam e esperam por uma solução, do inferno que suas vidas lhe reservam.