Eu sei que eu sou sempre aquela que falha, que volta atrás com os objetivos e engole a seco todos os “eu te avisei” que aparecem pela frente. Eu sei também que não quero mais ser essa pessoa, por isso de hoje em diante, eu vou desligar o note antes de dormir, porque eu posso ficar sozinha quando eu bem entender.


“O segredo da vida está em fazer papel de pateta e ainda sim, rir da própria desgraça. É tirar proveito dos momentos em que se pode rir de si mesmo, evita que os outros o façam. É notar que disse algo ridículo, ver todos criticando e ainda sim achar engraçado. O segredo da vida é se importar menos com as piadas que fazem sobre ti e mais com as que você faz consigo mesmo, e quantas risadas elas te oferecem. Mas quem sou eu pra saber o segredo da vida, não é mesmo? A ridícula que todo dia acorda afim de descobrir um motivo novo pra tudo isso, e sempre o termina com uma filosofia barata e clichê sobre aquilo que nós todos nunca vamos descobrir. Nada poético.”


“Eu sinto uma ligeira falta dele. Acho que de quando ele me disponibilizava o mundo, todo em suas costas. E da forma com que ele olhava pra mim, como se mesmo em vista de um mar de rosas, eu fosse o espinho mais atraente aos seus olhos. As vezes também sinto falta da muralhas que eram seus braços em minha volta. E sinto falta de ser parte daquele casal inusitado, que pouco atraia bons comentários, mas que talvez no fundo, todos achavam que fosse dar certo.”


Ok, é realmente importante que eu não deixe ninguém ciente do que acontece comigo. Quanto menos palpites, menos explicações e menos desgastes. Ninguém deve se sentir responsável pelo meu bem estar, muito menos pela ausência dele. 

Eu só quero passar por isso tudo sem nenhuma grande cicatriz.


Existem duas forças guerrilhando por um lugar na minha mente, e quem diria, eu nunca achei que isso fosse possível. 

Dois caminhos completamente diferentes porém igualmente incertos, mas pera lá, desde quando a vida foi pautada nas certezas? Todas as atitudes que tomamos são baseadas ou no emocional, ou na lógica e mesmo sendo lógico, não é certo. 

Por muitos anos eu segui por uma única estrada, avistando vagamente uma bifurcação à frente. Ninguém se preocupa em ocupar os pensamentos presentes em acontecimentos distantes e futuros. Todo o percurso eu, assim como vários outros, ignorarei a existência desse impasse, porém uma hora ele haveria de chegar.

Não tenho mais coragem de permanecer na mesma postura. O tempo passa, o trem anda e eu preciso me decidir antes de bater na placa da estrada por falta de atenção. Eu preciso de respostas, preciso que alguém se sobressaia dentro de mim, preciso de um sinal interno que me dê mais ciência sobre o que eu posso e não posso fazer, sobre o que será mais difícil, o que vai exigir mais de mim, quais serão as mudanças necessárias, o que me fará feliz? O que fará meus pais felizes? Onde eu poderei descobrir isso? Eu poderei descobrir?

O trem não passa, ele voa, e eu cegamente sento a espera de um breve sinal, algo que me dê motivos para escolher, ou simplesmente motivos pra não deixar de agir.


Eu não consigo escrever, não consigo treinar, não consigo enxergar, não consigo conversar, nem que conseguisse, teria com quem o fazer. 

Não existe alguém nesse mundo que dê atenção às minhas baboseiras (ok, existe). Não existe mais ninguém nesse mundo, além dele, que gostaria de me ouvir falar, e infelizmente não é exatamente o que eu procuro. 

Não quero que concordem comigo, não quero que se anulem como pessoa. Eu quero discussão, eu quero adrenalina, vida. Quero que alguém me lembre como é essa sensação, uma vez que eu não posso mais preencher esse vazio com jabs, leitura ou desenho.

Eu quero viajar, quero me sentir como eu me sentia antes e eu juro perder completamente o juízo se isso não acontecer. 

Eu quero alguém pra conversar, só isso.


Não estou em tempo de paciência, indulgência ou generosidade com ninguém. A vida tem me sugado as forças de todas as maneiras possíveis. Sinto-me como se a todo momento em que eu cicatrizo uma ferida, uma outra se abre no lado oposto. 

Isso não significa que seja um tempo de todo o mal, a cada tormento que sou obrigada a aguentar, por mim ou pela minha família, o meu espírito se eleva. 

Tenho evitado a auto-piedade nesses últimos tempos, aliás, a minha vida toda, nunca achei que fosse de grande ajuda, porém agora sinto-me na necessidade, no direito, mais do que isso, no dever de reconhecer meus esforços para com a minha família. Nunca disse nem direi que o que fiz estava fora do meu alcance, ou que não era minha responsabilidade, nem apontar minhas falhas ocasionadas por certas situações às quais fui submetida por eles, em suas caras. 

Sinto um orgulho imenso por ser quem eu sou, quem eu fui, o que eu fiz ou deixei de fazer por eles, mas a cada dia que passa a verdade bate na minha cara com mais força, alguém tem que sair..


Sigo em frente

por uma estrada que a ti pertence.

Cada sinal mais forte estou..

Te imaginando ao lado meu.

Ah, saudade.

Que graça tem esse tormento que invade?

Me maltratando o coração, uma voz..

Tá difícil esperar..

Pra que? Tanta espera e esse aperto. 

Venha me trazer meu beijo

Eu to pensando em você.

“Repare bem,

cada minuto é importante demais.

Uma fração, mais um segundo se vai.

E o seu abraço, aonde está?

Inconsequente, te procurei.

Pela cidade, gritei

imaginando que iria escutar

Uma resposta ao meu lamento..”


.

There’s a note underneath the front door

That I wrote twenty years ago

Yellow paper and a faded picture

And a secret in an envelope

There’s no reasons, no excuses

There’s no second hand alibis

Just some black ink on some blue lines

And a shadow you won’t recognize

Mmm

Mmm

Mmm

In the meantime I’ll be waiting

For twenty years and twenty more

I’ll be praying for redemption

And your note underneath my door

And your note underneath my door


Gostaria de entender qual o propósito de cultuar o demônio, uma vez que ele representa a atribuição de todas coisas ruins. Quer dizer, é ir contra a própria maré, é lutar por seu próprio padecimento. Quem em sã consciência pleiteia tanto para tal?